que mal tem passar três dias em são paulo? nenhum, certo?
diárias, viagem de avião (milhas), boas companhias e a possibilidade de re-encontrar (esquisito, mas é a nova ortografia) pessoas que não se vê há muito...
então a mocinha que recebe os pedidos de diária começa a encrencar demais com a planilha do excel, eu me atraso para o voo, pago excesso de bagagem - só por causa desse atraso, porque a ana veio só com a bagagem de mão-, e começo a perceber o desenho que a viagem está tomando.
meu voo foi ótimo. antes mesmo de decolarmos, a comissária pede para que a passageira vanessa câmera (sim, sou eu) se identifique pelo sinal luminoso. mas eu estava na poltrona c e resolvi que era melhor me levantar mesmo. afinal, não tinha feito nada errado e não deveria ter vergonha de me levantar no meio de um monte de estranhos que não têm nada com a minha vida nem pagam as minhas contas.
- quer que eu vá aí? - perguntei para a comissária que estava láaaaaa na frente (e eu na poltrona 20)
- não, não precisa. ela virá aqui. - me respondeu educadamente a comissária que tentava organizar o corredor antes da decolagem.
eis que a outra chegou ao meu lado e disse que era só para saber se eu estava no voo mesmo. porque eu tinha esquecido a minha carteira de identidade no check-in.
(pequeno parênteses para o fato de que eu NUNCA viajo com a identidade, só com a cnh, o que me rendeu um dia a menos em buenos aires em setembro passado)
pelo modo como ela me disse, dei por certo que a minha identidade estava fazendo o mesmo percurso que eu: subindo as escadas rolantes e atravessando TODO O AEROPORTO até o portão 8. (isso não é problema pra quem não está atrasado para pegar uma ponte aérea) ledo engano...
vem pra perto de mim o comissário. este nada simpático e diz:
- sua identidade ficou no check-in.
- sim, eu sei.
- se formos esperar ela chegar aqui, A SENHORA VAI ATRASAR O VOO (momento em que me senti tão poderosa quanto obama), não seria melhor a senhora descer e buscá-la? assim a senhora iria no próximo voo.
(NÃO, NÃO SERIA! primeiro que eu não sou senhora. e segundo que vim correndo porque tem duas outras pessoas aqui neste avião que vão ficar no mesmo hotel que eu e trabalhar no mesmo evento que eu. se fosse pra ir sozinha, eu não teria chegado esbaforida.)
mas é claro que eu não disse isso. minhas palavras:
- tenho minha carteira de motorista aqui. posso deixar a identidade lá e pego quando voltar pro rio?
fato que o cara achou que eu era alguma louca, sei lá. como alguém pode não se preocupar com seus documentos e ter tal desapego????
em menos de cinco minutos, a primeira comissária, a simpática, me entregou a identidade. e decolamos. (percebi que realmente eu atrasei o voo. mas foi pouca coisa.)
depois de uma aterrissagem um tanto brusca, viemos direto para o hotel, descansar um pouco as pernas antes de encararmos o estande em montagem.
levar duas caixas, verificar o material e partir para almoço e passeio pelo shopping. mas isso era pedir muito...
- moço, a gente vai pro expo center norte.
- ok
ok porra nenhuma! depois de meia hora rodando por lugares nunca dantes navegados, a gente começou a desconfiar do cara. fato que ele queria dar uma de esperto em cima das cariocas...
- qual o caminho que o senhor está fazendo? (isso quem perguntou foi a ana, que é uma criatura iluminada e calma)
- olha, senhora, esse caminho é o mais rápido.
tá bom... mais rápido... andamos mais quinze minutos e aquele lugar não era nada parecido com o que eu tinha na minha lembrança. sabia - pelo menos - que o expo center norte era perto do anhembi. e disse isso pro motorista.
- senhora, o anhembi fica no ceintro (esse i é como ele fala) e o expo center norte fica na zona norrrrte. então não é perrrrrto não.
o cara errou o caminho que ele mesmo tinha inventado, foi se justificando, dizendo que não estava enrolando a gente. que ele mesmo tinha uma corrida marcada pras 13h30 no hotel e que não poderia nem demorar. já eram 13h e a gente estava rodando desde 12h15.
chegamos! ao antigo ITM expo, claro. porque - o nome é muito parecido, senhora. eles não deviam fazer nada com o nome tão parecido. eu me confundi porrrrr causa deles.
numa boa, quem são eles?!?!? estava claro que o nosso motorista era um imbecil...
e se a gente levou uma hora pra cruzar são paulo, passar pela ceagesp e chegar no antigo itm expo (desativado há cinco anos), o caminho de volta levaria o mesmo tempo...
o calor de 36 graus da capital paulista não ajudou em nada naquele carro sem ar condicionado. num dado momento, as três permaneciam mudas dentro do carro.
a corrida do nosso hotel pro expo center norte custa, em bandeira 1 R$17 e pouco. e em bandeira 2, uns R$20. o leo viu isso pra mim num site e a corrida de volta comprovou.
enfim, carregando meus 30 quilos de material, chegamos ao estande. quase tudo certo. só uma prateleira por montar e o balcão que não estava colocado.
- vamos almoçar, então? e fomos as três andando até o shopping. comemos no alemão (SALADA DE BATATA!!!!!!), andamos um pouquinho e fomos sacar um dindin antes de voltarmos pro pavilhão. porque a gente queria esperar a chuva cair, claro...
um baita de um toró, afinal faz 43567209468968 dias que chove todos os dias por aqui...
e esse foi só o primeiro, dos três dias em são paulo...


Adorei o jeito de contar sua jornada-capítulo.
ResponderExcluirTorna o que parece sufoco, estresse,em momentos engraçados.
Pelo menos para quem ler.
Quero mais aventura, São Paulo promete.
Bjs!
Liliana