20100227

O TEMPO VAI DIZER

não sei se era exatamente neste blog que este texto deveria estar. sou de textos leves, divertidos, sarcástica, irônica, mas hoje não. 

talvez o filme de hoje esteja mais para um drama. daqueles que você se pergunta se podem ser realidade, mas a verdade é que a vida real de fato pode machucar. peço perdão pela redundância, mas o coração da gente não faz curso nem aprende muito fácil. pelo menos o meu não aprende.

acabou no domingo, não tem nem uma semana, mas parece uma eternidade. acabou porque estava fadado a acabar, porque, como eu bem aprendi com uma amiga, não devemos viver apenas das ilusões do futuro.

notem bem que não estou dizendo que não seja saudável sonhar, planejar, imaginar como será se um dia casarem, tiverem filhos, onde estudarão, viverão... tudo isso faz parte. mas a essência não podem ser as ilusões, a essência deve vir do dia a dia, da convivência, das trocas.

para todos, éramos muito bacanas: o casal ideal, que de tudo ri e que a todos diverte. dois bon vivants que, veja a sorte do destino, se conheceram e se deram muito bem. só que ninguém convive tanto com um casal quanto ele mesmo. quando a festa acaba, quando a gente fecha o tabuleiro do war e apaga o último cigarro, quando dá boa noite a todos e se recolhe, a intimidade pode ser reveladora.

são manias, costumes, jeitos de ser, hábitos e teimosias que vêm à tona – porque ninguém é obrigado a conviver com o lado ruim do outro, mas dentro de uma relação a dois, mais cedo ou mais tarde essa face oculta se revela.

descobri que sou chata, teimosa, cheia de manias, que gosto de dar ordens, que quero as coisas do meu jeito e que não admito que me contrariem. é justo. sou filha única e não sei dividir. um dia eu aprendo, ou não. ou eu não sou nada disso, mas era assim que ele me lia.

foi no último domingo, mas só hoje eu chorei. a vida segue, novas pessoas entram para depois saírem ou ficarem. só o tempo dirá o que só o tempo pode revelar. prometo mais sorrisos, ironias e histórias divertidas para a próxima vez. mas, se eu não conseguir, compreendam que foi mais uma falha dessa menina mimada que só faz o que quer, que só quer se agradar.

20100204

terça insampa

quando uma viagem cai no seu colo de repente, ela pode ser boa ou ruim.
que mal tem passar três dias em são paulo? nenhum, certo?
diárias, viagem de avião (milhas), boas companhias e a possibilidade de re-encontrar (esquisito, mas é a nova ortografia) pessoas que não se vê há muito...

então a mocinha que recebe os pedidos de diária começa a encrencar demais com a  planilha do excel, eu me atraso para o voo, pago excesso de bagagem - só por causa desse atraso, porque a ana veio só com a bagagem de mão-, e começo a perceber o desenho que a viagem está tomando.

meu voo foi ótimo. antes mesmo de decolarmos, a comissária pede para que a passageira vanessa câmera (sim, sou eu) se identifique pelo sinal luminoso. mas eu estava na poltrona c e resolvi que era melhor me levantar mesmo. afinal, não tinha feito nada errado e não deveria ter vergonha de me levantar no meio de um monte de estranhos que não têm nada com a minha vida nem pagam as minhas contas.

- quer que eu vá aí? - perguntei para a comissária que estava láaaaaa na frente (e eu na poltrona 20)
- não, não precisa. ela virá aqui. - me respondeu educadamente a comissária que tentava organizar o corredor antes da decolagem.

eis que a outra chegou ao meu lado e disse que era só para saber se eu estava no voo mesmo. porque eu tinha esquecido a minha carteira de identidade no check-in. 
(pequeno parênteses para o fato de que eu NUNCA viajo com a identidade, só com a cnh, o que me rendeu um dia a menos em buenos aires em setembro passado)

pelo modo como ela me disse, dei por certo que a minha identidade estava fazendo o mesmo percurso que eu: subindo as escadas rolantes e atravessando TODO O AEROPORTO até o portão 8. (isso não é problema pra quem não está atrasado para pegar uma ponte aérea) ledo engano...
vem pra perto de mim o comissário. este nada simpático e diz:

- sua identidade ficou no check-in.
- sim, eu sei.
- se formos esperar ela chegar aqui, A SENHORA VAI ATRASAR O VOO (momento em que me senti tão poderosa quanto obama), não seria melhor a senhora descer e buscá-la? assim a senhora iria no próximo voo.
(NÃO, NÃO SERIA! primeiro que eu não sou senhora. e segundo que vim correndo porque tem duas outras pessoas aqui neste avião que vão ficar no mesmo hotel que eu e trabalhar no mesmo evento que eu. se fosse pra ir sozinha, eu não teria chegado esbaforida.)
mas é claro que eu não disse isso. minhas palavras:
- tenho minha carteira de motorista aqui. posso deixar a identidade lá e pego quando voltar pro rio?

fato que o cara achou que eu era alguma louca, sei lá. como alguém pode não se preocupar com seus documentos e ter tal desapego????
em menos de cinco minutos, a primeira comissária, a simpática, me entregou a identidade. e decolamos. (percebi que realmente eu atrasei o voo. mas foi pouca coisa.)

depois de uma aterrissagem um tanto brusca, viemos direto para o hotel, descansar um pouco as pernas antes de encararmos o estande em montagem. 
levar duas caixas, verificar o material e partir para almoço e passeio pelo shopping. mas isso era pedir muito...

- moço, a gente vai pro expo center norte.
- ok

ok porra nenhuma! depois de meia hora rodando por lugares nunca dantes navegados, a gente começou a desconfiar do cara. fato que ele queria dar uma de esperto em cima das cariocas...

- qual o caminho que o senhor está fazendo? (isso quem perguntou foi a ana, que é uma criatura iluminada e calma)
- olha, senhora, esse caminho é o mais rápido.

tá bom... mais rápido... andamos mais quinze minutos e aquele lugar não era nada parecido com o que eu tinha na minha lembrança. sabia - pelo menos - que o expo center norte era perto do anhembi. e disse isso pro motorista.

- senhora, o anhembi fica no ceintro (esse i é como ele fala) e o expo center norte fica na zona norrrrte. então não é perrrrrto não.

o cara errou o caminho que ele mesmo tinha inventado, foi se justificando, dizendo que não estava enrolando a gente. que ele mesmo tinha uma corrida marcada pras 13h30 no hotel e que não poderia nem demorar. já eram 13h e a gente estava rodando desde 12h15.

chegamos! ao antigo ITM expo, claro. porque - o nome é muito parecido, senhora. eles não deviam fazer nada com o nome tão parecido. eu me confundi porrrrr causa deles.

numa boa, quem são eles?!?!? estava claro que o nosso motorista era um imbecil...

e se a gente levou uma hora pra cruzar são paulo, passar pela ceagesp e chegar no antigo itm expo (desativado há cinco anos), o caminho de volta levaria o mesmo tempo...
o calor de 36 graus da capital paulista não ajudou em nada naquele carro sem ar condicionado. num dado momento, as três permaneciam mudas dentro do carro.

a corrida do nosso hotel pro expo center norte custa, em bandeira 1 R$17 e pouco. e em bandeira 2, uns R$20. o leo viu isso pra mim num site e a corrida de volta comprovou.

enfim, carregando meus 30 quilos de material, chegamos ao estande. quase tudo certo. só uma prateleira por montar e o balcão que não estava colocado.

- vamos almoçar, então? e fomos as três andando até o shopping. comemos no alemão (SALADA DE BATATA!!!!!!), andamos um pouquinho e fomos sacar um dindin antes de voltarmos pro pavilhão. porque a gente queria esperar a chuva cair, claro...

um baita de um toró, afinal faz 43567209468968 dias que chove todos os dias por aqui...

e esse foi só o primeiro, dos três dias em são paulo...