20100325

o que (não) vem de dentro

ontem ou anteontem descobri o twitter do canto do saber. são frases daquelas que mexem, que provocam a gente...


tenho andado pensativa. não tanto quanto deveria, ou quanto a minha analista gostaria, mas mais do que era há 34 dias. apesar de tão pensativa, não consigo expressar perfeitamente o que estou sentindo. acho que estou mais pra dentro do que pra fora no momento...


por isso me permiti pegar emprestados alguns twitts do @cantodosaber que me levam à reflexão ou à pura e simples constatação de fatos. e eles seguem:


"Não existe o esquecimento total: as pegadas impressas na alma são indestrutíveis." Thomas De Quincey


é a mesma coisa daquela história da tábua cheia de pregos que permanece marcada quando você os retira.


"Nem o ácido do tempo dissolve a dura saudade em que o amor se tornou" Valter da Rosa Borges.


eu associo sempre a saudade à memória, e a frase da martha medeiros que está abaixo diz muita coisa.


"Em vez de tentar escapar de certas lembranças, o melhor é mergulhar nelas e voltar à tona com menos desespero e mais sabedoria." M Medeiros


o difícil é dar o primeiro passo para a reflexão. e eu sempre tive tanto medo desses primeiros passos...


"Apenas amamos aquilo que não possuímos por completo." (Marcel Proust)

20100312

e caim matou abel


sim, eu sou uma pessoa extremamente curiosa. e sim, por ser mulher, tenho a capacidade de achar que dou conta de fazer três coisas ao mesmo tempo. mas tudo tem exceção. veja hoje, por exemplo:

estava ouvindo feliz jamiroquai no metro... e resolvi que ia continuar a ler caim, do saramago. claro que tive que tirar o fone. não dá pra ler o escreve-sem-ponto do saramago e ouvir nada ao mesmo tempo. repito: NADA. por isso a minha irritação quando, depois de pararmos na são francisco xavier, entrou uma moça falando ao telefone.

sim, eu falo ao telefone quando estou no metrô e em outros lugares mais apertados, como sala de espera de médico. mas a mocinha estava disposta a colocar todos nós – pobres mortais naquele vagão – a par de sua vida, sua programação, suas amizades...

por que é que eu preciso saber que ela tinha limpeza de pele marcada às 9h e, como viu que não ia dar mais tempo, resolveu desmarcar e fazer só pé e mão? e depois, quando ela ligou pra uma amiga e ficou “ai vocês são um barato. adoro a fulana, adoro a ciclana. ah, do vitor eu não posso falar porque sou suspeita, né?”

é claro que eu fiquei dividida entre o caso tórrido de caim e lilith (que pra mim está só começando) e os berros da criatura sem educação dentro do metro. mas no fim venceu o meu poder de concentração na bolha e o saramago, claro!

20100302

CAMBIO DE HUMOR


acordei às 6h20 pra poder devolver o carro pra moms. pra mim foi ótimo porque hoje recomecei no cervantes a estudiar español. mas nem preciso comentar a cara que eu estava quando ela me deixou na portaria (um perfeito zumbi). melhor do que a cara, só o cabelo. saca "quem vai ficar com mary"? minha franja estava à la cameron diaz (a franja, não sacaneia).

e eu que sempre achei que um dia fosse ter a oportunidade de me remeter à frase "lá estava ela", da personagem da ingrid guimarães em confissões de adolescente (momento retrô), quando ela chega à portaria com uma toalha amarela enrolada na cabeça porque estava sob efeito de entorpecentes, tóxico, maconha... mas o máximo que eu consegui - e vamos tentar parar por aqui - foi essa franja em um topete ridículo.

então chego em casa pra me arrumar rapidinho pra aula que começa às 7h30 no centro. saio do banho correndo, separo uma roupa de micro-executiva e vou passar uma blusa. o telefone toca. SUSTO! óbvio... quem vai me ligar a essa hora? a senhora minha mãe que notou que eu deixei meu belo guarda-chuva no carro. no problem. hoje nada me irrita!

tanto que vim rascunhando esse texto no metrô, não me irritei com a muvucada que entrou na central, assisti belamente minha aula de espanhol com a assumpción, fiz um cheque sem pensar no saldo no banco e saí do prédio sem entender a irritação da mocinha que estava na minha frente no elevador.

pra completar, o dvd de um show com participação do tito puente me chamou a atenção e parei em frente a uma banca de jornal quase na esquina da rua da quitanda pra, por sorte ou destino, encontrar "o declínio do império americano". obrigada, destino. bom dia!

20100301

ROTINA(?)


aquele tal de pedro bial naquela história de “filtro solar” manda a gente fazer caminhos diferentes, sair da rotina... resolvi – ou não – seguir o conselho do cara.

hoje peguei o 254 pra ir pro trabalho. acho que nunca tinha ido de ônibus pro centro, mas não estava perto de casa na hora de sair, e também não estava perto de nenhuma estação do metro. sim, a gente reclama horrores, mas ele me traz em 15 minutos pra carioca.

entrei no 254 em frente à uerj. chovia um pouco já, mas não o suficiente pra me fazer comprar um familião de 10 real. vim em pé, óbvio, porque todo castigo pra corno é pouco. ainda bem que não tinha muita gente. aliás, já disse que só entrei no 254 porque vinha escrito praça xv? foi só por isso. não tenho a menor intimidade com as linhas de ônibus que não circulam por perto da minha casa.

minha tristeza não podia ser maior quando me dei conta de que estava sem o meu mp3 ou o fone do meu celular. eu sou meio movida a música mesmo. e, pasmem, até gosto de andar de ônibus - mas única e exclusivamente quando existe uma paisagem a ser admirada. o que não é o caso da praça da bandeira ou da presidente-intransitável-vargas.

no trabalho, quase um dia como outro qualquer. estressada, preterida, irritada, prestes a mandar alguém se f@#er, mas noves fora zero.

mas, como sempre, nas refeições vem o alívio... almoço com novos amigos pra rir um bocado com assuntos que variaram do nome dos filhos da angélica - algo tipo nana shara, zabelê, zoé - aos pelos nas axilas ou em outras partes das mulheres. :S não que esse seja o melhor assunto para a hora da comida. (peço desculpas pelo trocadilho)

seguindo os conselhos de leo joao, um café à tarde trouxe o alívio que eu precisava de quem eu não esperava. (tks!) e um outback fechou a noite com um garçom sub-20 que não sabia se comportar perto da paulinha! (aêeeeeeeeeee) 

brincadeiras à parte, é o que eu sempre disse e não canso de repetir: vamos discutir isso em cima de um prato de comida? a vida é mais agradável dessa forma. e disso, mas só disso, eu tenho certeza.